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O nascimento de uma criança com malformação congênita facial pode causar desestabilização familiar com graves conseqüências. Uma relação amorosa originando um bebê, muitas vezes o primeiro do casal, que não se enquadra nos padrões de normalidade, leva a questionamentos variáveis por parte dos familiares.

Será que alguém tem culpa?

É difícil convencer os pais de que essa malformação pode ser freqüente e que não há certezas com relação à sua causa.

A fenda labial (lábio leporino) e a fenda palatal são as malformações da face mais comuns, e acometem, aproximadamente, 1 em cada 700 bebês nascidos vivos. Isso significa que, no Brasil, nasce por ano, uma média de 5000 portadores de fendas (fissurados). A microtia (ausência de orelha) tem incidência menor, mas considerável, atingindo cerca de 600 bebês nascidos por ano, no Brasil.

Para cobrir as necessidades mais freqüentes destes pacientes, é necessário um grupo grande, de profissionais de várias especialidades.

É importante que os familiares dos fissurados saibam que o tratamento não se baseia somente na cirurgia plástica. Mesmo antes de aprender a falar, a fonoaudiologia ajudará orientando a família sobre as formas de alimentar, exercícios e massagens locais e, mesmo antes de nascerem os dentes, a odontologia será necessária confeccionando delicados moldes que ajudarão a aproximar os lados da fenda. Além disso, após a cirurgia, estes profissionais continuarão atuando. O ideal seria que os pacientes fossem encaminhados para tratamento desde os primeiros dias de vida, para que se pudesse aplicar integralmente o protocolo de atendimento, o que, consequentemente, possibilitaria melhores resultados.

O verdadeiro tratamento é demorado, mas pode trazer resultados gratificantes.

Observamos que vários pacientes nos são encaminhados numa fase da vida onde muito já poderia ter sido feito.

Para se ter uma idéia, as cirurgias para correção de fendas labiais podem ser feitas dos 03 a 06 meses de idade, e para correção de fendas palatais, entre o primeiro e segundo ano de vida. Para tal, é preciso um tempo prévio para que a criança seja preparada e esteja saudável. Nos casos de microtia, as cirurgias são realizadas por volta dos 06 anos de idade, contudo, o tratamento inicia bem antes disto.